Terreno com caçamba de lixo da Prefeitura vira ponto de descarte irregular em Ibiúna

Diariamente animais são abandonados, morrem atropelados à beira da estrada e permanecem expostos até a fase de decomposição

Por Viviane Shinzato

À beira de uma estrada movimentada na região de Ibiúna – na estrada do Verava, mais precisamente no km 56 da Bunjiro Nakao – uma caçamba de lixo comunitário da prefeitura faz do terreno ao redor um ponto vicioso de descarte irregular de entulho.

Objetos de diversas origens, tanto lixos domésticos, como entulhos, transbordam pela caçamba e ocupam as redondezas. Ali, cachorros são abandonados semanalmente e rapidamente procriam. Em condições de vida miseráveis, perambulam pelo terreno poluído, espalham e rasgam os lixos em busca de alimentos. Diariamente, animais são atropelados por veículos que passam em alta velocidade, e sem qualquer tipo de socorro, morrem no terreno à beira da estrada.

Os corpos permanecem jogados durante vários dias, por vezes, até semanas, e aos poucos entram em estado de putrefação. À distância de alguns metros, mais afastada da beira da estrada, avista-se uma casa simples, habitada por uma família, que, de forma precária, se sustenta com o material reciclável que tira do lixo e entulho jogados no mesmo quintal.

As crianças da casa andam descalças, brincam pelo terreno sujo e contaminado, e convivem entre as fezes, os corpos de animais e os restos de lixos espalhados. Os despejos vão desde utensílios domésticos, carrinhos de bebê, garrafas plásticas, materiais de construção, brinquedos, vestimentas, calçados a produtos químicos altamente poluentes, como galões com restos de óleo diesel usado, eletrônicos, pilhas, pneus e até lâmpadas fluorescentes quebradas.

Os moradores do terreno já se habituaram ao mau cheiro e aos resíduos que aumentam a cada dia. A população de Ibiúna se sente impotente diante do problema, e alguns viajantes ajudam como podem, levando mantimentos à família, rações aos animais e até mesmo, improvisando abrigos com materiais (madeiras, ferros, latas, panos) descartados. Este é o caso de Angela Migatta, 55, professora aposentada, proprietária de uma chácara nas proximidades.

Todo final de semana, a aposentada viaja com o marido e as filhas, de São Paulo à Ibiúna, e passa pelo local para dar assistência aos animais abandonados. Angela, junto à sua família, leva água, ração e levanta espécies de barracas na intenção de proteger os animais da chuva. “Fico comovida com a situação e acho que as autoridades deveriam tomar providências como recolher os animais e levá-los a abrigos de doações, fazer campanha de castração e divulgar melhor, porque as pessoas nunca estão informadas de quando vai acontecer [a castração]”.

Visitante da cidade de Ibiúna há mais de dois anos, Angela se diz indignada com o que presencia a cada viagem e acredita ser este um problema social de longa data. “Não tem como ver aquilo e não se envolver. O que eu faço ainda é o mínimo perto do que precisa ser feito, mas a verdade é que a prefeitura não se importa. Outras pessoas já falaram que tudo continua igual era antes, que isso [o terreno] sempre foi assim. Inclusive já vi pessoas atearem fogo ao lixo que sobra da caçamba e, também, restos de animal queimado, porque as pessoas sabem que ninguém virá para recolher”.

Angela lembra que já viu o fogo se propagar até a altura da pista, e diz que é perigoso o risco de incêndio, principalmente em tempos mais secos. “Não existe nenhum controle, o fogo se alastra rapidamente. Existem postes ao redor, é um terreno cercado de muito mato e restos de madeiras.”

A Assessoria de Imprensa da Prefeitura de Ibiúna, em resposta por e-mail, afirma que a Secretaria do Meio Ambiente verificou a situação local e comunicou a empresa responsável pelas caçambas para recolher o lixo. A assessoria de imprensa alega que, no momento, esta é parte que cabe à Prefeitura, e, caso a empresa não apresente soluções, medidas judiciais entram em vigor.

No entanto, o problema não parece algo simples de ser resolvido. A assessoria afirma que algumas famílias vivem da reciclagem, e, ao procurar objetos na caçamba, descartam os lixos na rua e no terreno ao redor. A Prefeitura de Ibiúna diz que trabalha intensivamente com campanhas de conscientização, e destaca a questão do lixo como algo recorrente em outros pontos do município.

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