História e estórias de um jornalista maratonista II

De volta ao passado jornalístico: o furo

Como sua vida rende um livro de histórias inesgotáveis, é difícil entrevistá-lo sem se deixar envolver pelos relatos que me chegam sem pausa e aumentam rapidamente. Voltei a lembrar de que deveríamos precisar mais a história da pauta em Aracajú e por inúmeras vezes pedi que contasse detalhadamente e me fizesse entender passo a passo de sua história do primeiro furo jornalístico na matéria para o Banco América do Sul. Então ele retoma o assunto e explica que sua pauta era buscar japoneses na região de Aracajú e, inesperadamente, conseguiu descobrir vinte famílias japonesas, e em uma dessas famílias uma criança acabava de nascer.

– Mas por que você considera uma missão encontrar japoneses na região. O que tinha de tão diferente nisso?

– Pensando há 20 anos, quase não existiam japoneses em Aracajú, e eu dei a sorte de encontrar uma criança que acabava de nascer e também uma senhora de 60 anos que com uns 6 anos chegou ao Brasil em um dos primeiros navios que trazia imigrantes japoneses.

Homenagem por divulgação de haikai no Japão

O destaque que torna esta reportagem o furo de sua carreira é a descoberta desta senhora que, quando criança, em meados de 1920, se perdeu da família ao trocar o local de desembarque. A história poderia ser triste, mas aparentemente teve um final feliz também para Vicent que soube aproveitar a história da criança perdida dos pais em Sergipe e foi adotada por uma família japonesa na cidade, crescendo distante de seus semelhantes.

-Esta matéria deu respaldo para mim, porque eu sentia um pouco de preconceito por não ser japonês. Então eu aproveitei a chance, já que tinham japoneses da comunicação social que não gostavam e não se interessavam pela cultura japonesa, aproveitei este território que eu tinha para explorar. Os diretores perceberam que eu realmente gostava e isso me favoreceu.

– E como você vê isso hoje?

– Foi uma parte importante da minha vida. Ensinou muito. Depois disso eu aprendi a ter coragem, que é o principal para o jornalista. Vejo muitos jornalistas profissionais formados em tantos cursos, mas que não têm isso. Ali (no BAS) também foi onde eu comecei a perceber que eu realmente gostava de jornalismo, de ser repórter. Gosto de saber. Acho que o jornalista tem que ter essa veia.

Esta matéria revelaria, além da paixão pela reportagem, o talento para o fotojornalismo. “Com a matéria para o BAS pensei: Eu posso ser mais que repórter, posso ser repórter fotográfico e vídeo-repórter. Me interessei em ser fotógrafo e cinegrafista, então paguei um curso de edição de vídeo, de cinegrafista e também fui atrás de aulas na faculdade”.

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