Arquivo para abril \28\UTC 2011

Separados pelo Atlântico

Há quatro anos atrás, Klaus pegou o voo da Alemanha rumo ao Brasil.
Tantas horas de viagem em breve seriam recompensadas, afinal, Klaus
escolhera o Brasil para participar de um trabalho voluntário com
crianças de uma escola na periferia de São Paulo. Depois de um longo
dia entre aeroportos e rodoviárias, finalmente seu destino se
anunciava: Liga Solidária “Educandário Dom Duarte”. E aquilo que era
para ser apenas uma passagem no exterior, de repente, se transformou
em uma viagem inesquecível. A viagem que mudaria para sempre o sentido
de sua vida. Naquela tarde vazia de sexta feira, o destino lhe
reservava uma surpresa. De um lado, Klaus Schmedemann, alemão, 20 anos,
estudante de engenharia mecânica. De outro, Ellen Almeida, brasileira,
21 anos, estudante de psicologia, desenvolvendo também um trabalho
voluntário. A vida destas duas pessoas acabava de se cruzar.

Alguns minutos foram o tempo necessário para que os olhares se
encontrassem. Algumas horas bastaram para sentir que a viagem não
terminaria ali. Aqueles mágicos dias que se sucederam à tarde de sexta,
pareciam um sonho, um sonho que, na imaginação dos dois, logo mais
teria fim. Depois de um ano Klaus estava de volta a suas origens, com a
triste sensação de ter deixado algo para trás. Ellen estava de volta à
sua rotina, tentando seguir a vida e esquecer a angústia da despedida.
Entre cartas e telefonemas (e-mails e skype) o namoro seguiu em
frente. Para não perder o vínculo, as viagens se tornaram mais
constantes, com direito a estadias prolongadas na casa dos pais. Nem
a distância e nem a burocracia foram motivos para desistir.

Hoje, aos 25 anos, Ellen recebeu um pedido que seria irrecusável caso
seu namorado, Klaus, 24 anos, tivesse terminado a faculdade. O pedido de
casamento não foi aceito, talvez seja adiado. Mais uma vez, Klaus aguarda
ansiosamente a hora da próxima viagem, o momento de acomodar-se na
poltrona e sentir a volta do frio na barriga e todo ritual de quem
anseia o encontro com a pessoa amada.  Sempre que chega a hora da
viagem, Klaus sente todas as sensações virem à tona, como se fosse a
primeira vez. No próximo dia 03 de abril, Klaus vai novamente sentar-se
à poltrona e aguardar ansiosamente, mas desta vez, não é no avião, e
sim no aeroporto onde sua amada vai desembarcar para passar três meses
ao seu lado. Pelo menos até junho, Brasil e Alemanha não mais estarão
separados pelo Atlântico.

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Cena da vida real

Fabíola sentou-se no banco em frente ao barraco que mora. Fazia sol. Estava com a mesma roupa do dia anterior. A mesma roupa que também usou para dormir. Seu cabelo estava despenteado. Suas olheiras eram visíveis, a aparência raquítica contornava suas formas. Em uma mão segurava o copo de cerveja, enquanto a outra cuidava do cigarro. A boca com piercing pronunciava poucas palavras que se alternavam no pequeno intervalo entre o copo e o cigarro. A cerveja acabou e Fabíola entrou para pegar mais. Voltou para o barraco e se distraiu com o computador. Seu orkut mostrou novas mensagens. Foi assim que conheceu Nicolas.

Naquele verão de 2010 foi quando tudo começou e a vida de Fabiola finalmente passou a ser melhor. Fabiola e Nicolas nunca tinham se visto. Se conheceram por internet e passaram a conversar. Fabiola morava em Martinópolis, a 550 km de São Paulo. Enquanto Nicolas morava em Buenos Aires, Argentina. Distâncias tão longas, vidas tão opostas mas pensamentos muito próximos. Foi por este motivo que o argentino viajou até Martinópolis. Fabíola o recebeu no barraco. Dias depois, Nicolas voltou para seu país, onde conversara com sua mãe sobre a nova namorada.Fabíola arrumou as malas, ganhou coragem e foi viver a vida que jamais conhecera. Nicolas a aguardava no aeroporto argentino.