Arquivo para março \29\UTC 2011

Chácara Santa Cecília nunca mais!

Olá pessoal

como já é do conhecimento de muitos, não deixo de reclamar do que realmente me incomoda. E assim será com a maldita chácara santa cecília, na rua Ferreira de Araújo, em Pinheiros-SP. Confiram nas próximas linhas  a reclamação que postei no site deles (mesmo que ninguém de lá tenha competência para ler reclamações…) e que pretendo deixar em muitos outros lugares em que eu passar (tanto virtual, quanto socialmente):

No sábado, dia 19/03/11, fui com minha família à Chácara Santa Cecília, para utilizar os cupons do peixe urbano. Três, das quatro pessoas, tinham o cupom para usar até dia 23 de março. Chegamos à mesa e a primeira parte de todos os problemas acontece: os garçons não sabem explicar o funcionamento do cupom e sua utilização nos pratos da casa. Segundo, após anotarem os pedidos, demoraram mais que o normal de um restaurante para trazer os pratos, até aí entedemos que seria a correria de um sábado. Terceiro problema: os pratos nunca eram recolhidos (ficamos cerca de 40 minutos no aguardo) e precisamos chamar o garçom para recolher. Quarto: pedimos o cardápio para escolher sobremesa, mas, ninguém vinha atender a nossa mesa. Depois de outro longo tempo, vem alguém para anotar os pedidos, que por sinal viriam incompletos. Quinto: duas pessoas da mesa pediram petit gateou e depois de muito tempo esperando e insistindo para os garçons trazerem a sobremesa, a porcaria do petit gateou não veio. E adivinhe como soubemos? Quando pedimos para alguém ir adiantando a conta e o pedido veio riscado como cancelado (sem que nenhum funcionário desse explicações e pedisse autorização para cancelar). Sexto problema (começando a ficar grave): A comanda veio com valores errados na cobrança de uma das saladas (aumentando 10 reais de diferença). Sétimo problema: Garçom traz comanda cobrando 10% de serviço, pedimos que descontasse o valor dos 10% porque não gostamos do atendimento. Até então o garçom diz que vai chamar o gerente para conversarmos, então esperamos mais algum tempo até saber de mais um problema: o gerente não viria conversar com ninguém. Oitavo problema: o garçom avisou que o gerente não viria mas que nós estávamos liberados para passar no caixa. Nono problema:chegando no caixa, os funcionários continuam fazendo a soma errada e contando os 10% de serviço e o pior de tudo…dizendo que a promoção do peixe urbano estava separada dos 10%, então teríamos que pagar, porque a promoção não cobria. Será que ninguém treina funcionários para lidar com novos meios de consumo, como a internet (e as próprias parcerias do estabelecimento com sites de compras coletivas). ninguém entre nós pensava que os 10% seriam juntos da promoção, pensávamos apenas em NÃO PAGAR POR PÉSSIMO ATENDIMENTO. Precisei discutir muito com os funcionários do caixa, que por sinal ignoravam qualquer reclamação. Precisava  me esgoelar para finalmente conseguir saber quem era o gerente daquela bagunça toda, e…para minha surpresa, chega o 10º problema: o gerente estava ali o tempo todo e nunca se pronunciou vendo toda a insatisfação, além de também não ter entendido nadaaaa sobre a não obrigatoriedade dos 10%. Ainda no final, saímos pagando valores errados, faltando no caixa do restaurante. Desta parte não reclamo, porque os R$3,00 que pagamos ao invés dos 25 reais que deveríamos ter pago, ficaram como uma sensação de”bem-feito para esses ridículos”, um ar de menos injustiça conosco depois de tantos transtornos. Enfim, depois disso tudo, nunca mais pretendo voltar (com ou sem voucher) e também pretendo não recomendar e sim criticar a Chác. Sta. Cecília por seu horrível atendimento. Como prometi ao Sr. Gerente ao deixar o local, pode deixar que vou deixar reclamações por todos os cantos que eu passar (como ando fazendo em todos os meios que mantenho vínculo, tanto pessoal quanto virtual). Procurem o nome de vocês nas redes sociais e verão como me refiro a vocês. Lembrando de um detalhe: ninguém é obrigado a fazer parceria com sites de compras. Se vocês não estão prontos para isto, não façam porque sai pior, assim como saiu no meu caso e de tantos clientes da mesma noite. Se vocês foram parceiros incompetentes e já estão cientes, então que retirem a promoção, porque assim como vocês não são obrigados a fazer parceria, nós também não temos a obrigação de aceitar o péssimo atendimento e nem temos culpa da falta de organização interna.

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Relógio do Desespero

Por Viviane Shinzato

Dez horas da noite. Este é o horário marcado em meu relógio biológico. Hora de cobrar. Agonizante hora que desperta os piores sentimentos. A preocupação, o medo, o anseio e a expectativa pronta para ser quebrada. Assim acontecem todas as noites. Com uma mistura de angústia e esperança, disco o número residencial, ouço o toque de cada chamada
e o disparar do coração. As palavras ainda não foram ditas, mas já estão planejadas e constantemente revisadas.  As palavras do outro lado da linha também não foram ouvidas, mas rodam como uma fita que vai e vem, trazendo inúmeras possibilidades e repetições.

Sensações de impotência, fraqueza e injustiça me acompanham. Correr e correr e correr, sempre no mesmo sentido, na busca de uma solução, de justiça e compreensão. Vontade de vingança e, ao mesmo tempo, de paciência. Cansada de viver em função de responsabilidades alheias – e descrente das palavras ouvidas inúmeras vezes – só espero que a vida tenha me reservado um destino melhor.  Quantos sentimentos drásticos, talvez desnecessários, mas sempre existentes na vida de uma vendedora.

Espero, em breve, poder descansar a mente, me livrar destes medos e anseios. Reencontrar as pessoas, sem criar estratégias de cobrança, sem pensar no que estão pensando, sem ter que ouvir histórias e justificativas, sem ter que chegar em casa e me desesperar. São tantos investimentos, estudos, trabalhos, esforços e pouco retorno. Enquanto a vida segue neste ritmo, este trabalho ainda é importante para mim. Com o tempo, mais pessoas aparecem, adquiro mais segurança e, não raro, imagino já ter aprendido o bastante. Engano meu, a essência das pessoas não muda e a minha busca precisa continuar, precisa ser constante, desgastante e, por vezes, parece não ter fim.

A experiência levarei para a vida toda, as angústias com o tempo vão acabar, e dez horas da noite será um horário de descansar e não mais ensaiar para cobrar. Um dia meu pagamento não mais dependerá da consciência alheia. Um dia este relógio do desespero não vai mais despertar.

Breve Bairro

Por Viviane Shinzato

Rua estreita em uma esquina bem apertada onde o ônibus parece quase chocar-se ao muro desenhado com letras e formas coloridas. Um aroma agradável se espalha no ambiente, cheiro dos pães e bolos quentinhos que devem estar saindo do forno da fábrica da Pulmman, a tortura para o estômago que chega em casa sempre roncando.

Desce um, desce dois, três, quatro e até vinte. Corredor desafogando, pessoas voltando a se mexer, tudo indica que acabamos de chegar ao mercado Paraná, o ponto mais popular do bairro. Muito lembrado por passageiros do João XXIII, sempre acompanhados de uma única certeza: depois deste mercado o ônibus esvazia.

Em meio às ruas esburacadas, movimentação de carros, motos e ônibus disputando a passagem; crianças barulhentas correm euforicamente, lixos estão espalhados pelas ruas, cães abandonados quase atravessam entre os carros, famílias humildes aguardam o ônibus, luzes do mercado e do sacolão iluminam as calçadas, e o vento cortante da tarde traz à vista a familiar escola de inglês. Mais um ponto comercial, talvez, mas este tem algo diferente, tem em sua porta um vigia sem igual, sempre falando ao celular, mas pronto para desligar quando convidado a conversar. Cativante Tio Aluisio de seu jeito despojado, gírias engraçadas e vocábulos que entregam suas raízes nordestinas.

Despeço-me do Tio da Wizard, aceno com as mãos para o jornaleiro da banca, e sigo caminhando. O jantar dos vizinhos já está cheirando, latidos de cachorros se aproximam, adolescentes ensandecidos gritam por seus colegas…Tudo indica… Estou quase na porta de casa.