Arquivo para abril \29\UTC 2010

Jornalismo de resistência

Por Viviane Shinzato

Revista Caros amigos comemora 13 anos com debate aberto ao público

Em plena quinta- feira, no dia 22 de abril, logo após o feriado, estudantes e admiradores da Caros Amigos se reuniram no Teatro da Aliança Francesa em comemoração dos 13 anos da revista. Com um estilo bem diferente dos aniversários que conhecemos, a festa da Caros Amigos teve a seguinte temática: Que desenvolvimento queremos para o Brasil?

O debate, marcado para as 14h, teve início por volta das 14h30 e contou com a presença de convidados especiais, entre eles, o mediador do debate, Paulo Henrique Amorim. A primeira pessoa chamada ao palco é o diretor geral da revista, Wagner Nabuco, que conta um pouco sobre sua idealização do projeto. Em meio a sua apresentação, Nabuco acrescenta vídeos e imagens no telão, fazendo uma retrospectiva das diversas capas e entrevistas que contribuíram para a história da Caros Amigos. 

Seguido da apresentação do diretor da revista, o primeiro convidado a se apresentar é o Professor Jorge Abrahão de Castro, Economista do IPEA, chamado para falar de Economia e Emprego. Durante os 20 minutos de apresentação, tempo destinado para cada palestrante, o economista mostrou mapas e gráficos representativos do analfabetismo e da renda no Brasil; para Abrahão, o que já foi feito em relação à renda no país, ainda é pouco, “mexeu muito pouco com a renda pobre” e, nestas condições, “o Brasil não pode se dar o luxo de deixar dez, vinte milhões de pessoas na inatividade”.

A próxima palestrante a se apresentar é dos movimentos sociais e juventude do PT, Severine Macedo, vinda de Santa Catarina. Em seu discurso Severine defende a ação política e os debates da juventude, ressalta que a juventude não pode ser considerada única e homogênea, mas principalmente no Brasil temos algumas visões de juventude que permeiam muito o debate, “nós geralmente percebemos as pessoas direcionarem uma idéia à juventude, como naturalmente revolucionária ou, na atualidade, naturalmente conservadora, individualista, sendo esta uma visão muito trabalhada, inclusive pelos meios de comunicação” para estimular cada vez mais este segmento como próprio de “consumidores e não como sujeitos políticos”.

Ainda na apresentação de Severine, há destaque para o problema da ausência do Estado como tutor do desenvolvimento em todos os setores da juventude, principalmente no que se refere à falta de alfabetização que alcançou um milhão e meio de pessoas no Brasil, entre eles jovens, de 15 a 29 anos.  Segundo a representante do PT, “o jovem não pode ser obrigado a parar de estudar para entrar no mercado de trabalho” e os problemas da juventude não podem se resumir apenas ao trabalho ou ao estudo, “tem que ter um conjunto de outras políticas” que não abandonem a questão do lazer.

O Professor Sérgio Haddad tratou a questão da educação e cidadania, defendeu políticas como Bolsa Família e Pró Uni, por conta das oportunidades que tais programas oferecem àqueles “que não conseguiriam se formar”; o professor ainda apontou para a diferença da educação quando se trata de ricos e pobres, visto que “90% dos estudantes são da escola pública e os 10% restante são de particular, e esta é a diferença no ensino superior”, o professor completa  dizendo que “o sistema educativo acaba gerando desigualdade”.

Dando continuidade ao debate, chega a vez da Professora Raquel Rolnik, convidada para tratar questões urbanas e meio ambiente. Em sua apresentação a professora chamou atenção para o número de imóveis inutilizados na cidade e relata que “temos mais lotes abandonados e inutilizados do que moradias ocupadas”,  Raquel ainda observa dados como os de São Paulo onde “o déficit é de 203 mil moradias e 420 mil estão vagas”.

Em seu debate a arquiteta contraria o discurso popular de que a cidade não foi planejada; “os lugares destinados aos pobres são as áreas vulneráveis, e qualquer coincidência com qualquer evento da semana retrasada, não é nenhuma coincidência” afirma Raquel. A professora aponta que não é de interesse das autoridades melhorarem as condições de moradia, por ser esta a moeda de troca para as eleições, “troca-se cidadania pelo voto do vereador, prefeito…”.

Finalizando o debate, o convidado Ladislau Dowbor, professor e economista, fala da conjuntura política e abre discussão sobre os transportes, ele aponta que “quando mais de um terço da população tem carro já não é mais um instrumento de mobilidade”, Ladislau ironiza ao apontar que “o sistema que mais trava em São Paulo, é o sistema de mobilidade”

Chegando ao fim do debate, por volta das 18h, entra em cena um grupo de maracatu que convida a plateia para um cortejo pelas ruas; ao som dos tambores os convidados seguem até o local do coquetel. Assim foi o aniversário de 13 anos da Caros Amigos, alternativo e questionador. E você, caro amigo, que desenvolvimento quer para o Brasil?

Para conferir mais fotos, visite nosso flickr

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Ficha limpa deve entrar em votação hoje

Campanha Ficha Limpa tem grande adesão em redes sociais e correntes de e-mails

Por Andréia Passos

O parecer do deputado José Eduardo Cardoso (PT-SP) sobre o projeto Ficha Limpa deve entrar em votação hoje (28) pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara (CCJ). Neste caso, se for aprovado, o PL passará ao planário para votação.

O presidente da câmara, Deputado Michel Temer (PMDB -SP), afirmou que vai colocar o projeto Ficha Limpa em votação na primeira semana de maio.

Ficha Limpa e as redes sociais

A campanha Ficha Limpa, lançada em abril de 2008, é promovida pelo Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral.  De acordo com o site do MCCE, a campanha Ficha Limpa tem por ojetivo “de melhorar o perfil dos candidatos e candidatas a cargos eletivos do país”. Por meio de um Projeto de Lei de iniciativa popular, a campanha pretende deixar os critérios de inegibilidades mais rígidos, de modo a evitar que candidatos de vida pregressa possam ser eleitos.

A causa da Ficha Limpa invadiu caixas de e-mails e também várias redes socias nos últimos meses. Mais de de 1,9 mi de assinaturas – enviadas por meio do site Avaaz – foram feitas e o objetivo atual é atingir 2 mi. Ao final da coleta das assinaturas, os integrantes do Avaaz enviam a lista até Brasília, diretamente aos deputados.

As principais redes socias utilizadas pelos brasileiros – Twitter, Facebook e Orkut – possuem diversos tipos de campanha pró Ficha Limpa.  No twitter, a tentativa é de colocar o projeto nos tópicos mais comentados ( Trending Topics ) por meio dos posts do microblog.  Já no orkut há a comunidade do MCCE -Ficha Limpa que possui um tópico  a respeito de pesseatas em diversos locais do país,  além de uma mobilização em São Paulo no Ibirapuera. Por fim, no Facebook existe uma página do Ficha Limpa que por meio  do compartilhamento de links promove tanto a assinatura da petição quanto o envio de e-mails e ligações para pressionar os deputados.

A literatura do cordel reside em Guarulhos

A visão e a iniciativa de um paraibano sobre a cultura no Brasil

Por Bárbara Fernandes

     Guarulhos abriga uma casa de quase 100 anos de existência que atualmente promove apresentações voltadas a cultura nordestina. A entrada transporta o visitante a uma atmosfera típica do sertão, com cores quentes e luzes amarelas iluminando a chamada Casa dos Cordéis.

     A Casa oferece um espaço para as principais atrações de palco chamado Cine Theatro Atílio Carret. A decoração do local é montada com bonecos, máscaras usadas para a Folia de Reis, quadros com imagens de artistas nordestinos e peças produzidas durante as aulas de pintura.

     Bosco Maciel, 60, é poeta, artista e idealizador do Instituto Cultural Casa dos Cordéis que promove a cultura nordestina em Guarulhos já há pouco mais de dois anos.

     Ele conta que a idéia de fundar a Casa dos Cordéis surgiu a partir da reunião de um grande acervo de itens da cultura nordestina que ele possui. Esses objetos, como bonecos e folhetos de cordel, ficavam numa garagem alugada sofrendo deterioração até o momento que encontrou uma casa em Guarulhos para ser a sede de seu projeto.

     Ao falar sobre a questão de atrair público para eventos culturais no Brasil, Bosco diz que é um processo “moroso” e que “o Brasil ainda vive um estágio de primeiras necessidades”. Ele arrisca uma previsão: “Talvez daqui a 70 anos a cultura passe a ser um objeto de primeira necessidade”. As atrações oferecidas pela Casa dos Cordéis atraem um bom público. Otimista, diz que “pelo potencial do projeto, isto aqui (a Casa dos Cordéis) crescerá tremendamente e o público virá”. Os artistas que se apresentam na Casa dos Cordéis são buscados por Bosco Maciel. Ele fala que é interessante quando diz aos artistas que o trabalho na Casa dos Cordéis não oferece remuneração, e que ao saberem disso, vêm até com mais vontade.

     No que se refere à legados culturais, o artista defende que a marca mais importante que a cultura nordestina deixou no povo brasileiro foi o processo de miscigenação cultural. A cultura nordestina é baseada na literatura falada do cordel e na literatura cantada dos repentistas, e isso influenciou as demais regiões brasileiras. Ele cita essa influência na viola caipira, e diz que existe uma fusão cultural na própria literatura do cordel quando vemos a participação de pessoas do interior de São Paulo. Ele cita Chico Science e Zé Ramalho, este que usa princípios do cordel com a música eletrônica para compor suas músicas, e elas acabam por se tornar uma mistura muito interessante que agrada ao público.

Foto: Douglas LemosFoto: Douglas Lemos

Casa dos Cordéis

Av. Torres Tibagy, 90 – Gopouva – Guarulhos – SP

De Segunda a sexta-feira das 13h00 às 19h00. Aos sábados das 10h00 às 18h00.

(11) 2229-0580 – boscojb@gmail.com

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Folha quer inovar com “fusão orgânica”

     Por Bárbara Fernandes

     Depois da reforma do Estadão, agora é a vez da Folha. Desde a última quarta-feira que a Folha uniu sua redação à da Folha Online, isto significa que “o comando editorial da Folha Online está subordinado à editoria executiva da Folha”. O jornal de maior circulação nacional (302 mil exemplares em dias úteis e 365 mil aos domingos) quer por em prática o que chamou de “fusão orgânica”. Há a intenção de realizar mudanças editoriais (de conteúdo) e visuais (gráficas).

     Mas o que representa afinal a tal da “fusão orgânica”? Segundo matéria publicada sobre o assunto no Jornal deste domingo (11/04/2010): “o objetivo é que ambas as plataformas noticiosas passem a conversar de maneira mais ágil e completa do que já ocorre hoje, ampliando as possibilidades de acesso do leitor a informações e serviços de seu interesse e necessidade. Ferramentas e recursos para facilitar essa integração serão incorporados aos dois suportes do noticiário – o papel e a tela”.

     As mudanças que estão sendo analisadas visam atender melhor o leitor seja no meio impresso ou na plataforma online. Vamos aguardar os resultados e a recepção do público a esse novo esforço de fazer um jornalismo mais eficiente.

     Leia mais sobre as mudanças da Folha.


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